Verso por Verso, Show por Show: 2025 foi o ano do Clipse
Em julho de 2025, o rap norte‑americano recebeu um marco inesperado quando o Clipse, a dupla formada por Pusha T e Malice, lançou o álbum “Let God Sort Em Out”. A notícia gerou repercussão imediata nas principais plataformas de streaming e nas redes sociais, já que o trabalho alcançou o top‑five da Billboard 200 — a mesma posição que a faixa‑de‑estreia “Grindin’” atingiu em 2002. O lançamento também foi acompanhado por uma série de entrevistas e apresentações em vídeo, criando uma narrativa autêntica e acessível que dialogava tanto com fãs veteranos quanto com a nova geração de ouvintes.
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O projeto apresenta uma abordagem mais lírica do que musical, privilegiando a destreza verbal e o fluxo interno de cada faixa. O álbum contém colaborações esparsas, mas de impacto, incluindo participações de artistas como Kendrick Lamar e J. Cole, que reforçam a credibilidade da obra dentro do panorama contemporâneo. O produtor coletivo, que mantém a identidade sonora original do Clipse, utilizou samples de funk e soul dos anos 90, criando um cenário sonoro que ressoa com o legado do rap do início dos anos 2000. As letras, ao contrário das tendências atuais de hooks repetitivos, se concentram na narrativa e na introspecção, apresentando temas de maturidade, vulnerabilidade e crítica social que contrastam com o tom frequentemente hedonista da cena atual.
A dupla enfatizou que a produção de “Let God Sort Em Out” representa um esforço deliberado para combater o estigma de etarismo no hip‑hop. “Fechamos a porta para o etarismo no rap” declarou Malice, de 53 anos, durante uma entrevista na Rolling Stone, apontando que a obra demonstra que a experiência pode ser um diferencial em vez de um obstáculo. Pusha T, 48, complementou que a busca pela perfeição de longa duração se traduz em um som refinado, “um testemunho de como olhamos para a música e do alto nível de gosto”. A estratégia de divulgação, que incluiu vídeos de bastidores e discussões de imprensa, foi concebida para criar um diálogo genuíno entre a música e a audiência, aproveitando as novas mídias para ampliar o alcance além das fronteiras tradicionais do rap.
Os resultados do trabalho foram evidentes nas métricas de streaming e nas análises críticas. A faixa de abertura, “God’s Plan”, alcançou mais de 12 milhões de streams no primeiro mês, enquanto a canção “Still Here” alcançou a posição 38 na lista de singles da Billboard. A crítica especializada elogiou a profundidade lírica e a coerência temática, citando a consistência como um dos pontos fortes do álbum. Além disso, o sucesso comercial reforçou a viabilidade de projetos que priorizam a complexidade verbal em detrimento de refrões comerciais. O impacto cultural do Clipse em 2025 vai além dos números: ele oferece um precedente para artistas mais velhos que desejam continuar a inovar sem comprometer a autenticidade.