A noite de 21 de maio de 1987 entrou para a história da MTV como o instante em que o Whitesnake deixou de ser uma banda de hard rock britânico para se tornar fenômeno global: o clipe de “Still of the Night” estreou em heavy rotation e, em menos de três semanas, o álbum Whitesnake saltou da 64ª para a 8ª posição na Billboard 200, acumulando 8 milhões de cópias vendidas nos Estados Unidos até hoje. O responsável pela imagem que fundiu o blues do vocalista David Coverdale com o glam visual dos Sunset Strip não era um diretor de arte, mas sim a atriz e modelo Tawny Kitaen, então namorada do cantante, escalada 24 horas antes da filmagem, após a direção desistir da então desconhecida Claudia Schiffer por conflitos de agenda.
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O disco havia sido gravado entre o Outono de 85 e o Verão de 86 nos Little Mountain Sound Studios de Vancouver, com Mike Stone e Keith Olsen dividindo as rédeas da produção. O objetivo era claro: colocar o grupo no mesmo patamar de Def Leppard e Bon Jovi. A sonoridade, mais pesada e com guitarras em camadas, exigiu 46 dias de gravação e mixagem de 72 faixas em 24 bits, custando cerca de 450 mil dólares — quase o dobro do orçamento inicial. O primeiro single, “Still of the Night”, de 6 min45, foi editado para 4 min30 na versão radiofônica e chegou ao 79º lugar na Hot 100, mas foi o vídeo dirigido por Marty Callner que impulsionou o trabalho. Filmado em 35 mm em uma mansão em Bel Air, o clipe combinou slow motion, close-ups de Kitaen ondulando sobre o capô de um Jaguar XJ-S e cortes sincronizados com o riff de John Sykes, criando um padrão visual que seria copiado por dezenas de bandas posteriores.
A escolha de Kitaen não foi apenas casual, mas estratégica: ela já possuía exposição midiática por ter estampado a capa do álbum Out of the Cellar do Ratt, vendido mais de 3 milhões de cópias, e protagonizado o filme A Última Festa de Solteiro, que rendeu 38 milhões de dólares nas bilheterias mundiais. Sua presença no vídeo fez o clipe ser requisitado 5 vezes por hora nas programações da MTV, consolidando a canção na 18ª posição da Mainstream Rock e levando a faixa a tocar em 73 estações de rádio americanas simultaneamente — número que pulou para 140 em menos de um mês. O impacto comercial foi direto: a turnê de 87/88 arrecadou 42 datas nos EUA, com ingressos esgotados em 36 delas, e rendeu ao grupo indicação ao American Music Awards na categoria “Favorite Heavy Metal/Hard Rock New Artist”.
O modelo de produção visual criado ali se repetiu nos dois singles seguintes. “Here I Go Again”, relançado em 87 com nova mixagem e videoclipe também com Kitaen, alcançou o 1º lugar na Hot 100 por três semanas consecutivas, gerando 1,2 milhão de cópias apenas no formato single. “Is This Love”, a terceira faixa, ficou em 2º na mesma parada e vendeu 700 mil cópias físicas. Em conjunto, os três vídeos custaram 1,3 milhão de dólares — valor que a Geffen Records recuperou em menos de dois meses com royalties de vídeo, algo inédito para a época. O legado se mede em números: o álbum permaneceu 10 meses no TOP 10 britânico, 59 semanas no TOP 40 americano e, segundo a RIAA, tornou-se disco 8 vezes platina, consolidando o Whitesnake como uma das poucas bandas de hard rock a cruzar a marca dos 10 milhões de unidades vendidas fora dos Estados Unidos, com 2 milhões no Japão e 1,5 milhão na Alemanha.