Glenn Hughes encerrou recentemente uma turnê solo considerada a última no Brasil, em novembro, antes de seguir para a Argentina. Em entrevista ao programa “Rock & Pop 95.9” – um dos principais veículos de divulgação do gênero na região – o veterano britânico deixou escapar um comentário contundente sobre o que observa no cenário rock atual. A declaração veio logo após o término de uma viagem marcada por shows que misturavam a voz de alto calibre de Hughes com a força de seu legado em bandas como Deep Purple, Black Sabbath e Black Country Communion. A entrevista foi retransmitida nas redes sociais e imediatamente gerou repercussão entre fãs e críticos, que já buscavam entender se a insatisfação de Hughes reflete uma crise maior ou apenas uma fase de desilusão pessoal.

Durante a conversa, Hughes citou a ausência de “um novo Prince, um novo Jeff Buckley, um novo Led Zeppelin, um novo Rolling Stones” em sua percepção do que está sendo produzido hoje. Para ele, a música nova parece carecer de originalidade, de um “algo realmente especial” que pudesse despertar a mesma emoção que os ícones que marcou sua carreira. Essa crítica se insere no contexto de uma indústria que, segundo o próprio cantor, está cada vez mais guiada por processos automatizados. Ele apontou que o uso de Inteligência Artificial (IA) na criação musical tende a produzir faixas que, apesar de tecnicamente corretas, carecem de “orgânico” e de autenticidade, algo que ele descreveu como “muito artificial” e “não real”. Hughes ressaltou que, nos bastidores, a produção moderna costuma se afastar do que ele considera a essência do rock: a conexão humana entre instrumento e voz, a improvisação e a espontaneidade.

O artista também expressou desejo por algo mais simples e direto – um piano, uma voz, ou um violão e uma voz – com duração aproximada de três minutos, “algo bem orgânico e que te prenda imediatamente, como antigamente”, mas ao mesmo tempo “realmente original e muito melódico”. Essa proposta sugere um retorno a valores tradicionais de composição e arranjo, onde a melodia e a performance são centrais, ao invés de se apoiar em técnicas de produção avançadas e em algoritmos que geram sons sem a intervenção de músicos. Embora não tenha indicado bandas específicas, a insistência de Hughes em buscar “algo especial” reforça a necessidade de inovação que não dependa apenas da tecnologia.

Por fim, Glenn Hughes refletiu sobre o título que lhe é dado, “The Voice of Rock”, e a responsabilidade que isso implica. Ele descreveu a honra de carregar um apelido tão imponente, algo que lhe foi atribuído há décadas, como algo que ele leva com gratidão e consciência. Essa reflexão, inserida em meio às críticas ao estado atual da música, mostra que, apesar de reconhecer os avanços tecnológicos, o cantor permanece fiel aos princípios que guiaram sua própria trajetória: autenticidade, melodia e a conexão direta com o público. A entrevista, portanto, oferece um ponto de partida para discussões mais amplas sobre a evolução do rock e a necessidade de equilibrar inovação tecnológica com a essência artística que, segundo Hughes, ainda pulsa nas cordas e nas vozes que compõem o gênero.

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