São Paulo – A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) designou o bispo da Diocese de Jundiaí (SP), Dom Arnaldo Carvalheiro Neto, como representante nacional para o acompanhamento de grupos católicos LGBTQIAPN+, cargo criado em outubro e que vigorará até 2028. A nomeação, anunciada nesta sexta-feira (29), institucionaliza um canal direto entre a conferência episcopal e a Rede Nacional de Grupos Católicos LGBTs, que reúne coletivos em pelo menos 12 estados há mais de 15 anos. Com a medida, a CNBB busca articular, a nível nacional, políticas de acolhida e orientação pastoral aos fiéis que integram a comunidade LGBTQIAPN+ sem deslocar a autoridade dos bispos diocesanos.

Dom Arnaldo, 58 anos, será o ponto de referência para demandas espirituais, doutrinárias e administrativas desses grupos. Formado em filosofia e teologia por instituições paulistas e com especializações em direção espiritual e capelania hospitalar obtidas nos Estados Unidos e na Irlanda, o religioso foi ordenado padre em 1997 e consagrado bispo em 2016. A escolha partiu da presidência da CNBB após consulta às comissões de pastoral e de comunicação. O bispo afirma que a função atende a um pleito antigo da rede de grupos, que solicitava um interlocutor capaz de garantir comunhão, orientação canônica e articulação com as dioceses. “Qualquer grupo poderá buscar apoio para partilhar necessidades, pedir acompanhamento ou estabelecer diálogo com a igreja local”, explicou.

A Diocese de Jundiaí já desenvolve desde 2021 uma pastoral LGBTQIAPN+ que deve servir de modelo para a atuação nacional. Os encontros semanais incluem oração, estudos do magistério da Igreja, escuta qualificada e debates sobre discriminação, família e participação nos ministérios paroquiais. Segundo dados da diocese, cerca de 90 pessoas comparecem regularmente aos encontros e o número saltou 40% após a criação de grupos on-line durante a pandemia. A experiência local motivou a CNBB a ampliar a iniciativa, evitando que cada diocese tenha de reconstruir protocolos de acolhida. A conferência ressalta que a atuação do bispo referência não substitui o bispo diocesano, mas pode sugerir diretrizes, indicar assessores ou mediar conflitos sempre com o aval do ordinário local.

A Rede Nacional de Grupos Católicos LGBTs reúne hoje 42 grupos formalizados, distribuídos em todas as regiões do país, e estima que pelo menos 3 mil fiéis sejam atendidos mensalmente por atividades de formação e acolhida. Entidades do setor celebraram a nomeação como passo institucional relevante, mas afirmam que aguardam a criação de um plano de metas com indicadores claros de participação, formação de líderes e sensibilização do clero. A CNBB não fixou cronograma específico, dizendo que o trabalho será “gradativo e respeitoso ao tempo das dioceses”.

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